Como ser uma pessoa virtuosa em um mundo como a Terra? Parte 5

O desinteresse é uma virtude?

Resposta de Cosme Massi na live “Como ser uma pessoa virtuosa em um mundo como a Terra?”, transmitida ao vivo em 06/09/2021, no Enconself 2021; realização da Sociedade Espírita Laços Fraternos e transmissão da Rádio Espírita do Paraná.

Transcrição de Rui Gomes Carneiro.


Quando falamos de virtude, estamos falando de uma ação. Toda virtude é ação. A ação visa a um fim e exige meios para ser executada. Mas ela é motivada, isto é, alguma coisa leva a pessoa a querer realizá-la, existe um impulso interior que leva o indivíduo a agir. Esse impulso recebe muitos nomes, como sentimentos, desejos, interesses. Esses nomes são usados para caracterizar os impulsos que levam o indivíduo a fazer determinada coisa, o que o motiva a praticar alguma ação.

Então, são os sentimentos, as emoções, os desejos e o interesse em geral que movem o indivíduo, são esses elementos que o impulsionam a executar uma ação. Esse móvel está em nosso mundo interior, são os elementos que levam o indivíduo a querer agir, são os elementos que movem o indivíduo, são eles que levam a realizar aquela ação.

Em “As Leis Naturais e a Verdadeira Felicidade” encontramos que, de forma simplificada, podemos definir três tipos de ações humanas:

  1. As ações morais ou virtuosas, que são ações no bem desinteressadas;
  2. As ações humanas amorais são ações no bem, mas que são motivadas pelo interesse pessoal;
  3. As ações imorais, que são aquelas contrárias às leis morais; são ações que envolvem o mal, ou seja, os seus fins ou seus meios contrariam as leis de Deus.

Em uma ação moral os motivos importam. É preciso agir motivado pelo puro respeito às leis de Deus, sem nenhum pensamento oculto. Assim, uma ação moral coincide com uma ação virtuosa.

Não pode haver interesse pessoal motivando uma ação virtuosa: mas o que é interesse? Interesse é um termo que pode ser usado com sentidos diferentes. Acima dissemos que os desejos, os sentimentos, e o interesse, em geral, são o que move o indivíduo, e é importante entendermos que interesse geral não necessariamente se refere a benefício para o próprio individuo que pratica a ação. É claro que toda ação tem um interesse, já que tem um fim a ser alcançado. Quando o que se visa é o benefício próprio, chamamos de interesse pessoal.

Usa-se a expressão “interesse pessoal”, que vem da filosofia, para indicar que o indivíduo está praticando aquela ação motivado pelo que vai receber, pelo prazer que vai ter, pela alegria que vai conquistar. Ele está visando alguma coisa para si mesmo, de seu interesse próprio; no interesse pessoal tem outro móvel que não o bem pelo bem. Nesse caso, dizemos que está agindo por interesse pessoal.

Uma ação que visa interesse pessoal não é uma ação virtuosa, embora possa ser uma ação no bem. Um político que distribui cestas básicas para ganhar votos está praticando o bem, mas motivado pelo interesse pessoal, ganhar votos. Essa é uma ação no bem, mas sem virtude.

As ações que visam o interesse pessoal são chamadas de amorais, e todas as relações comerciais se inserem nesse tipo de ação: o padeiro vende pão para ganhar dinheiro, quem compra o faz para matar a fome.

A ação no bem, para ser virtuosa, não pode ter interesse pessoal, ou seja, ela precisa ser desinteressada. Entretanto, como já vimos, existe um interesse geral, que é atingir o fim almejado. Na obra acima citada, encontramos em rodapé: “Não se trata, portanto, de um desinteresse absoluto. O fundamental, em uma ação desinteressada, é que o agente seja movido pelo desejo sincero de cumprir a lei de Deus, sem levar em conta o seu interesse pessoal, ou seja, sem calcular o que irá ganhar ou perder.”

Em outro trecho, afirma que “podemos estabelecer uma distinção entre uma ação no bem e uma ação moral (ou virtuosa). Uma ação no bem é a ação que respeita as leis morais. Uma ação moral ou virtuosa, além de respeitar as leis morais, deve ser desinteressada”.

Então, se o que moveu o indivíduo, o que o levou a praticar aquela ação foi o bem pelo bem, foi o puro dever, foi o prazer de ser agradável a Deus, foi colocando o interesse do outro acima do seu, então não houve interesse pessoal, diz-se que a pessoa agiu com desinteresse.

Então, uma ação desinteressada é uma ação virtuosa, ou uma ação moral.


Veja mais sobre esse tema no vídeo “Como posso fazer o bem?” no canal Cosme Massi do YouTube.

Veja abaixo itens de “O livro dos Espíritos” relacionados ao tema!

O Livro dos Espíritos > Parte terceira — Das leis morais > Capítulo XII — Da perfeição moral

895. Postos de lado os defeitos e os vícios acerca dos quais ninguém se pode equivocar, qual o sinal mais característico da imperfeição?

“O interesse pessoal. Frequentemente, as qualidades morais são como, num objeto de cobre, a douradura que não resiste à pedra de toque. Pode um homem possuir qualidades reais, que levem o mundo a considerá-lo homem de bem. Mas essas qualidades, conquanto assinalem um progresso, nem sempre suportam certas provas, e às vezes basta que se fira a corda do interesse pessoal para que o fundo fique a descoberto. O verdadeiro desinteresse é coisa ainda tão rara na Terra que, quando se patenteia, todos o admiram como se fora um fenômeno.
“O apego às coisas materiais constitui sinal notório de inferioridade, porque, quanto mais se aferra aos bens deste mundo, tanto menos compreende o homem o seu destino. Pelo desinteresse, ao contrário, demonstra que encara de um ponto mais elevado o futuro.”

O Livro dos Espíritos > Parte terceira — Das leis morais > Capítulo XII — Da perfeição moral > As virtudes e os vícios. > 893

893. Qual a mais meritória de todas as virtudes?

“Todas as virtudes têm seu mérito, porque todas indicam progresso na senda do bem. Há virtude sempre que há resistência voluntária ao arrastamento dos maus pendores. A sublimidade da virtude, porém, está no sacrifício do interesse pessoal pelo bem do próximo, sem pensamento oculto. A mais meritória é a que assenta na mais desinteressada caridade.”


*Observação. O texto acima foi retirado de uma exposição de viva voz. Como todo ensino oral, esta colocação pode não ser tão rigorosa com os sentidos das palavras, por efeito da proximidade entre as pessoas que conversam. É preciso, por isso, considerar que as definições dadas podem ser provisórias, e que alguns termos são usados em sentido figurado. Em todo caso, o fundo da mensagem não deixa equívocos.


Cosme Massi é Físico, Doutor e Mestre em Lógica e Filosofia da Ciência pela UNICAMP. Foi professor, pró-reitor e diretor de diversas universidades no Brasil. Ganhador do Prêmio Moinho Santista em Lógica Matemática. Escritor, palestrante e estudioso das obras e do pensamento de Allan Kardec há mais de 30 anos. Idealizador do IDEAK (Instituto de Divulgação Espírita Allan Kardec) e da KARDECPEDIA, plataforma grátis para estudos das obras de Allan Kardec. Reúne mais de duzentas aulas de Espiritismo na plataforma KARDECPlay.


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